quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A sensação de amar tanto algúem, tanto mais do que você achou que fosse possível, acontece uma ou duas vezes na vida. Na minha, duas.

A primeira foi a primeira. Inesquecível porque nunca aconteceu, porque eu não tinha a menor idéia do que é a sensação de um derrame de desespero sob meu corpo quente e acordado. Feito tudo, tudo que eu achava que sabia até agora sumia dentro do calor que passava pelas veias, acordadas e atônitas. É como entender A sacada da equação de matemática. Dura um tempo. Meses, talvez anos. Pra mim, em especial foi um tempo. Meses picados, que iam e vinham. E que quando foram, nunca mais ousaram querer voltar. Até que se esgote as tentativas de fazer dar certo, e não ligar para o resto do mundo, pro cotidiano, pra nada. Até que tudo é problema grande o suficiente pra te impedir de chegar ao outro lado do mundo. Porque amar alguém pra mim é assim, cedo ou tarde o outro alguém vira o 'outro lado do mundo' e participar desse alguém fica cada vez mais difícil.

A segunda vem. Lógico que vem. A vida não ia me dar sabedoria assim, de bandeja e eu de novo paro lá, terreno tão sem cobertura com essas pernas que insistem em tremer. Agora eu já sei que leva um tempo, sei que paixão tem um ritmo.

Da segunda vez, ainda é pior. Você já tem passado, já tem um amor que não deu certo. Já tem aquele livro de frases feitas e piegas ridículamente racionais e sinceras. E o pior, cada uma delas, é verdadeira.

'Amor é repetição do mesmo princípio, alegria no começo e tristeza no fim'. Fato, não ficção. E o que você faz? Foge, e decide não amar nunca mais?
Eu fui procurar uma casa nova. Menor, mais confortável. Eu fui tentar achar alguma paz nos livros que falam sobre coisas que eu pretendo fazer ou crer, sustento a frase de que eu já sou tudo que eu preciso, compro um cachorro, corto o cabelo.

E continuo com ele. Até que o princípio se repita. Com fé, às vezes. Sem fé, em outras. Vai ver eu ainda não tenho tamanho pra bancar. Ou ainda não banco o tamanho que pode ter.

Um comentário:

-d.c.- disse...

em caso de dor passe gelo,
mude o corte de cabelo

[...]

em cada milágrimas cai um milagre
(milágrimas - itamar assumpção)

http://www.youtube.com/watch?v=61WEQUjiXas&feature=related

bjs, minha linda...

diogo