sexta-feira, 24 de outubro de 2008


se orienta.
só. você só precisa se orientar, tá? você não é pequena. você sabe bem disso e tá cansada de saber que sabe bem como fazer. então faça. e não deixe que isso tire você do seu eixo. você sabe ser auto-suficiente, na medida certa. não abra mão disso.
você sabe que gosta dele, e ele sabe que gosta de você. você sabe que ele sabe que você gosta dele então tá com medo de quê? qualquer tipo de atitude será bem pensada e vai ponderar isso. e se mesmo assim não for. bom. ai são outros quinhentos, querida.
entendeu? tá. então pronto. quando você precisar de mim de novo você me chama, que eu apareço. mas entenda que ninguém tem o seu tempo. seu tempo é só seu. e o tempo dele é só o tempo dele. você sabia que esse dia ia chegar e você ia ter que aprender a lidar comigo e com esse tempo. então aquieta essas covinhas.
a gente tem que aprender um dia. e talvez tenha mesmo que ser agora. porue quem FOI QUE TE MANDOU querer alguma cosia difícil. 'e oque esse relacionamento te traz?', desafios. DESAFIOS. e você adora um. então
to indo, pra dentro de você agora. quanquer coisa você me chama.
até logo,
paciência.
[everybody's gotta to learn sometime..]

sábado, 30 de agosto de 2008

não importa quem mora na janela ao lado.

a gente tenta dizer que cumprimenta os vizinhos mas é mentira.

a janela dela se acende, logo que a minha apaga, com um cheiro de fixador de maquiagem a luz dela invade meu quarto escuro que desesperado, espera que eu durma.
desce as escadas de salto, e com o salto caminha pela cozinha, ligando o liquidificador pela bebida que eu só posso imaginar. liga o rádio e ouve the cure. acho que deve ter marcado a adolescência dela, que agora tem seus 29 anos.

pra se juntar ao barulho, canta oque eu ouço abafado, dentro do banheiro ela se maqueia pra ser assim, do jeito que eu imagino que seja, brilhante.
cumprimenta o cão, pede que vá dormir. acena para o papagaio e olha pra cima em direção a minha janela. acho que no fundo ela sabe que sempre me acorda as quintas-feiras quando decide sair para a balada.

sobe. troca de sapato ou de roupa mais umas duas vezes e apaga a luz. de uma vez por todas.


ouço o portão se abrindo, o carro saindo.
e durmo.

não a conheço. mas as nossas paredes são amigas.


quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A sensação de amar tanto algúem, tanto mais do que você achou que fosse possível, acontece uma ou duas vezes na vida. Na minha, duas.

A primeira foi a primeira. Inesquecível porque nunca aconteceu, porque eu não tinha a menor idéia do que é a sensação de um derrame de desespero sob meu corpo quente e acordado. Feito tudo, tudo que eu achava que sabia até agora sumia dentro do calor que passava pelas veias, acordadas e atônitas. É como entender A sacada da equação de matemática. Dura um tempo. Meses, talvez anos. Pra mim, em especial foi um tempo. Meses picados, que iam e vinham. E que quando foram, nunca mais ousaram querer voltar. Até que se esgote as tentativas de fazer dar certo, e não ligar para o resto do mundo, pro cotidiano, pra nada. Até que tudo é problema grande o suficiente pra te impedir de chegar ao outro lado do mundo. Porque amar alguém pra mim é assim, cedo ou tarde o outro alguém vira o 'outro lado do mundo' e participar desse alguém fica cada vez mais difícil.

A segunda vem. Lógico que vem. A vida não ia me dar sabedoria assim, de bandeja e eu de novo paro lá, terreno tão sem cobertura com essas pernas que insistem em tremer. Agora eu já sei que leva um tempo, sei que paixão tem um ritmo.

Da segunda vez, ainda é pior. Você já tem passado, já tem um amor que não deu certo. Já tem aquele livro de frases feitas e piegas ridículamente racionais e sinceras. E o pior, cada uma delas, é verdadeira.

'Amor é repetição do mesmo princípio, alegria no começo e tristeza no fim'. Fato, não ficção. E o que você faz? Foge, e decide não amar nunca mais?
Eu fui procurar uma casa nova. Menor, mais confortável. Eu fui tentar achar alguma paz nos livros que falam sobre coisas que eu pretendo fazer ou crer, sustento a frase de que eu já sou tudo que eu preciso, compro um cachorro, corto o cabelo.

E continuo com ele. Até que o princípio se repita. Com fé, às vezes. Sem fé, em outras. Vai ver eu ainda não tenho tamanho pra bancar. Ou ainda não banco o tamanho que pode ter.