Feito desaparecesse. Contigo, tudo que é meu. Conforme vou te esquecendo, saem da minha cabeça detalhes mais delicados e pessoais da minha pessoa. Aquele tipo de dado que me definia antes como quem era eu. Cheia de cor.
E já não dói mais te deixar. Dói mais por mim, por cada batida no coração que anuncia a chegada de um pensamento seu que eu corto. Sem pesar te abandono, pra talvez nunca mais te deixar entrar. Porque as coisas precisam passar um dia. E a gente tem que aprender a deixar pra trás.
Nessa coluna, já tem peso demais,
chega.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
terça-feira, 3 de julho de 2007
Para o lade de lá.
Ir não fez diferença. Aquele amor de mais de uma vida não se resolve em viagem, em visitas, em cafés. Não se resolve por não se resolver. Só porque não se resolve.O desencontro não pára nunca. O desencontro não vai embora nunca.
O amor deles é de geração nova, das mensagens instântaneas, das frases de efeito trocadas por e-mail, de fotos trocadas por msn, de sorrisos ganhados em scraps de orkut.
De arrepio intenso feito amor à primeira vista. Feito primeiro amor. Feito amo que mais dissecado não poderia, não chegaria, não alcançaria. Mas era dissecado. Metade aqui, metade lá.
Metade, nunca inteiro. Nem no caminho de volta daquela cidade dele, interiorana, nem perto dela, nem perto dele. Nem quando se procuram, justamente por não se acharem. Não se acham, e a margem erro deles é absurdamente grande. Absurdamente.
De tudo que ela não pode dar para ele, de tudo que ele não consegue dar pra ela. De tudo oque é deles em silêncio, ela descobriu que caiu do céu no momento em que conheceu ele. E descobriu voltando de lá, que a vida não poderia nunca ser inteira. E que ela nunca seria grande o suficiênte para estar com ele, nem pequena o suficiênte para não estar nele.
Not even once.
O amor deles é de geração nova, das mensagens instântaneas, das frases de efeito trocadas por e-mail, de fotos trocadas por msn, de sorrisos ganhados em scraps de orkut.
De arrepio intenso feito amor à primeira vista. Feito primeiro amor. Feito amo que mais dissecado não poderia, não chegaria, não alcançaria. Mas era dissecado. Metade aqui, metade lá.
Metade, nunca inteiro. Nem no caminho de volta daquela cidade dele, interiorana, nem perto dela, nem perto dele. Nem quando se procuram, justamente por não se acharem. Não se acham, e a margem erro deles é absurdamente grande. Absurdamente.
De tudo que ela não pode dar para ele, de tudo que ele não consegue dar pra ela. De tudo oque é deles em silêncio, ela descobriu que caiu do céu no momento em que conheceu ele. E descobriu voltando de lá, que a vida não poderia nunca ser inteira. E que ela nunca seria grande o suficiênte para estar com ele, nem pequena o suficiênte para não estar nele.
Not even once.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
pra ser abandono.

Ela revê as fotos dele com cuidado. Cada traço do nariz, dos olhos, do queixo, da boca. Uma vez disse que na verdade ele não era tão perfeito. Mentira, daquelas que se sustentam porque foram ao telefone, se fossem pessoalmente seriam desmentidas. Fecha a pasta do computador com pequenas coisas guardadas, a pasta na verdade está guardada até dela. É tudo que sobrou ali dele.
Não têm fotos juntos, não tem cartas, não tem postais, recadinhos, flores secas, nada. Nada. Exceto aquela pasta que ela finge até pra ela que não existe, ignora. Lá tem também uma música que uma vez ele dedicou à ela em silêncio, mas que sabia que era pra ela.
A separação foi regular, daquelas que não tira lágrimas mas dá um pesar no peito. Deixou saudade e deixou a pasta. A pasta era a perdição da vida dela, afinal, ela nunca teria coragem de apagar e tirar ele de vez de lá. Ainda olhava pro sofá rasgado e vazio a procura de uma lembrança mas tudo que sobrou foi saudade, daquela que não deixa qualquer resquício de cena que seja aparecer na memória de novo. O sapato que com ele, ela nunca estreiou, o batom que já não serve pra mais anda perdido na bolsa para prováveis encontros, ela não queria mais sentir o gosto de abacaxi na boca de novo. O revista no trem a distrai até que aquela angústia é tão forte que ela acaba por desistir do artigo, olha pra janela e fica lá, fixada num ponto qualquer do horizonte cruel.
Deita na cama, abraça um travesseiro velho e permanece no quarto escuro. O ventilador ligado numa velocidade baixa faz um ruído que incomoda mas ela não muda de posição. Fica. Cede a sí mesma mais uma semana de fossa. Depois daí, passa.
quarta-feira, 7 de março de 2007
http://mundodascoisaspequenas.blogspot.com/2007/01/bege.html
Às vezes eles pegavam o elevador junto. Célia sabia que aquele homem morava no 4° andar de seu prédio, na rua das Bananeiras num bairro antigo de sua cidade perdida na fumaça. Ela descia no primeiro mesmo. Mas fazia questão de pegar o elevador na volta do trabalho pra encontrar com ele. Lucas. Sabia depois de bisbilhotar em sua correspondência. Sozinho por assim dizer, ele morava com o avô. Lindo senhor de 82 anos de idade. Mudaram para o prédio aproximadamente dois meses.
Por três dias Célia e Lucas não pegaram o mesmo elevador e ela não o viu no prédio. Segundo o síndico, Xavier, o avô de Lucas estava no hospital. Louca seria ela se fosse até lá, ou se não fosse. Por via das dúvidas, deu um beijo na testa de sua gata, pegou as chaves do carro e o documento e foi. Aquels dois viraram de repente os homens de sua vida dentro daquele prédio. Como se existisse esperança ou compania.
Chegou e não soube por quem procurar. Por sorte o franzino senhor estava na área de arborização do hospital, perto da entrada. Concentrada, foi até ele com a desculpa de que aquilo era apenas uma coincidência.
Chegando na frente do senhor, sentado num banco com um enfermeiro perto ela perguntou "o senhor lembra de mim?" e ele nada respondeu. O enfermeiro virou-se e o alertou sobre a chuva que podia ser prejudicial à ele naquela situação e ele respondeu num sorriso de quem já perde a identidade dos lábios:
"A chuva, seu moço, a chuva melhora tudo".
Célia entendeu quem ele era e porque era. E agora eu não conto mais a história da mulher que enxergava tudo bege. Sua filha vai chamar Chuva. Porque Chuva melhora tudo.
Por três dias Célia e Lucas não pegaram o mesmo elevador e ela não o viu no prédio. Segundo o síndico, Xavier, o avô de Lucas estava no hospital. Louca seria ela se fosse até lá, ou se não fosse. Por via das dúvidas, deu um beijo na testa de sua gata, pegou as chaves do carro e o documento e foi. Aquels dois viraram de repente os homens de sua vida dentro daquele prédio. Como se existisse esperança ou compania.
Chegou e não soube por quem procurar. Por sorte o franzino senhor estava na área de arborização do hospital, perto da entrada. Concentrada, foi até ele com a desculpa de que aquilo era apenas uma coincidência.
Chegando na frente do senhor, sentado num banco com um enfermeiro perto ela perguntou "o senhor lembra de mim?" e ele nada respondeu. O enfermeiro virou-se e o alertou sobre a chuva que podia ser prejudicial à ele naquela situação e ele respondeu num sorriso de quem já perde a identidade dos lábios:
"A chuva, seu moço, a chuva melhora tudo".
Célia entendeu quem ele era e porque era. E agora eu não conto mais a história da mulher que enxergava tudo bege. Sua filha vai chamar Chuva. Porque Chuva melhora tudo.
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